Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2009-05-01

corpoECOlogia: Tatiana Kessedjian, ABR/09

EDUCANDÁRIO ROMÃO DE MATTOS DUARTE
Rio de Janeiro, Brasil
Professora: Tatiana Kessedjian

Relatório
ABRIL 2009

Começarei Abril atenta às transformações que o projeto vem sofrendo e, conseqüentemente, às novas demandas. A forma como as ecologias (pessoal, social e ambiental) estão sendo combinadas gera uma mudança na metodologia aplicada, que deve ser analisada cuidadosamente para que não se perca em sua trajetória. Creio que o meu desafio agora seja conseguir fazer essa integração, sem perder o foco no trabalho corporal e lúdico. Isto é, se este é um projeto ARTE-educacional chamado CORPOECOLOGIA, o corpo e o movimento são fundamentais; logo, devem estar presentes de forma lúdica em todas as aulas, como meio de exploração do tema (ambiental, social ou pessoal).


Iniciei o mês dando continuidade ao tema vento que novamente serviu de estímulo para as atividades corporais. No mês passado, a história do 'Sr. Vento do Norte' nos ajudou a entender a função e a importância do vento para as nossas vidas.

Já em Abril, as propostas sobre esse assunto foram focadas na exploração de exercícios respiratórios e espaciais. Cantamos e recantamos juntos a música do vento Norte. O canto é um excelente instrumento de ampliação da respiração, abertura do coração e harmonização do grupo – o canto faz a criança escutar a sua voz interior e libertar suas emoções.

Fizemos diversas dinâmicas com bexigas, jogos de deslocamento em diferentes níveis (deitado, sentado, em pé) e direções (frente, costas, laterais, diagonais). Também fizemos a brincadeira da corrida de bolinha de papel, que ativa a respiração, explora o espaço e ajuda a descarregar (todos deitados de barriga para baixo, cada um soprando uma bolinha de papel, apostando corrida).

Em seguida, trabalhamos com o tema raízes. As crianças expuseram suas idéias sobre raízes: o que eram e para que serviam. Surgiram algumas comentários muito engraçadinhos, como o do Gabriel, que acreditava que as árvores tinham uma boca no meio do tronco e que se curvavam para beber a água do solo, como nos desenhos animados.

Mostrei algumas imagens de raízes e conversamos sobre suas funções (fixação e absorção de nutrientes e água) e formas (aérea, subterrânea, aquática). Fomos para a área aberta da instituição e observamos raízes subterrâneas e aéreas, tocamos as raízes aéreas e fizemos uma brincadeira corporal de dissociação das partes; nesta, a parte inferior do corpo ficava 'enraizada' e somente a parte superior podia se mexer, dançar.

Nas aulas seguintes, desenvolvemos o exercício de dissociação, explorando diferentes ritmos e qualidades de movimento. Também fizemos trabalhos de sensibilização (massagem com bambuzinho) que se iniciavam sempre dos pés em direção à cabeça, numa analogia com a absorção da água da terra.

O tema caule foi o último a ser visto neste mês. Novamente levei imagens, conversamos sobre as idéias dos alunos a respeito do tema e falamos da função (sustentação da copa da árvore) e das formas (rígido, maleável) do caule. Fizemos seqüências de dança e improvisações explorando as qualidades de movimento (forte = rígida e leve = flexível). Os alunos desenharam seus caules e raízes.

Todas as aulas foram concluídas com um ritual de fechamento que, a partir de agora, sempre ocorrerá: em roda, fizemos um 'grito de paz', entoando 'C-O-R-P-O-E-C-O-L-O-G-I-A'!


Neste mês, foquei todos os temas em elementos da natureza (ecologia ambiental) e trabalhei as ecologias social e pessoal através da própria dinâmica da aula. Me parece que esse formato funciona bem!

Em Abril, tivemos muitos momentos em áreas abertas, fato que gerou forte motivação nos alunos. As crianças ficam um pouco mais dispersas, mas, 'contraditoriamente', também ficam mais envolvidas quando fazemos aula ao ar livre... Elas se sentem mais livres, mais vivas. Creio que a céu aberto podem respirar melhor e experienciar o pertencimento à natureza.

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