Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2009-03-30

corpoECOlogia: Tatiana Kessedjian, MAR/09

FUNDAÇÃO ROMÃO DE MATOS DUARTE (Flamengo)
Rio de Janeiro, Brasil – Março de 2009
Professora: Tatiana Kessedjian

Relatório
MARÇO 2009


No Sarau de 2008, completei o meu ciclo na ‘Casa da Criança Dr. Bezerra Menezes’. Nesse semestre, desenvolverei o projeto Corpoecologia no ‘Educandário Romão Duarte’, localizado em Botafogo, com crianças de 5 a 6 anos.

Iniciei o planejamento do semestre fazendo uma avaliação dos aspectos positivos e ‘negativos’ do ano passado. Desta forma, pretendo valorizar algumas atividades que avalio terem sido produtivas (como a construção de um brinquedo que se tornou objeto de cena, brincadeiras de circuito sensorial, atividades corporais que levaram ao conhecimento de temas ambientais, etc.) e pensar novas formas de abordagem de atividades que não funcionaram na prática.

Também desejo incluir nas aulas ‘o canto e o conto’ que são estímulos maravilhosos para ativar o imaginário infantil e para ajudar na apreensão do conhecimento (no caso de temas ambientais e corporais).

Aproveitando que a instituição possui uma ampla área verde, e até mesmo uma hortinha, realizaremos algumas aulas em espaços abertos no decorrer do semestre, conhecendo a natureza a partir da experiência do contato.



Comecei o mês apresentando o tema da aula: ‘CorpoECOlogia’. Com um cartaz ilustrativo, conversas, brincadeiras e desenhos as crianças começaram a entender sobre o que se trata essa aula (tema conceitual –ecologia- portanto de difícil compreensão para as crianças). Dei continuidade ao curso trabalhando com o tema identidade (ecologia pessoal) que foi abordado através de uma estória cheia de personagens infantis (‘Menino que não tinha nome’), de canto (‘batizado do menino’), de elementos visuais (fantasias, objetos...), de dança, de jogos competitivos e de desenhos (cada um coloriu e deu vida ao seu nome).


Depois, começamos o trabalho de construção do próprio brinquedo (ecologia pessoal, social e ambiental foram abordados separadamente dentro desse tema). Com jornal, papel crepon e figuras de revista, cada um foi montando o seu brinquedo com a minha orientação. Essa parte foi um pouco difícil porque eu estava sozinha com eles, por serem muito pequenininhos precisavam de ajuda o tempo todo. Começamos a montar em uma aula, depois eu levei os brinquedos para casa, adiantei a montagem deixando-os pré prontos e as crianças finalizaram na aula seguinte. No desenvolvimento desse tema, o brinquedo construído por eles se tornou objeto para jogos e brincadeiras de exploração do corpo e do espaço.


Nesse mês ainda, dei inicio ao trabalho de integração das 3 ecologias trazendo o tema vento como estímulo (diferente do tema ‘construção do próprio brinquedo’, neste as ecologias pessoal, social e ambiental foram trabalhadas simultaneamente). Na abordagem desse tema, utilizamos novamente uma estória (A estória do ‘Sr. Vento Norte’ que ajudou na compreensão da função do vento), canto, exercícios de respiração com vocalização, brincadeiras de sensibilização (telefone sem fio de sopro na bochecha, passeio por áreas abertas da instituição sentindo o ‘toque do vento’, brincadeira de velocidade do vento em duplas, etc) e jogos espaciais. O trabalho desse tema terá continuidade no mês que vem.

Todos os temas necessitaram de mais de uma aula para serem explorados e deram resultados positivos em termos de ‘descoberta’ do próprio corpo e ‘incorporação’ do conhecimento.

O mês de março foi muito divertido e produtivo. Tive uma surpresa bastante agradável com a turminha que apesar de sapeca e muito novinha, mostrou-se disponível para as aulas.

Nesse mês, a prática do projeto sofreu diversas modificações em relação ao ano passado, pois inclui novos elementos importantes para a motivação das crianças e repensei a metodologia aplicada. O trabalho de integração das 3 ecologias, por exemplo, apontou para uma nova prática interessante que apresenta grande coerência com a teoria do projeto.

Compreendi o quanto o próprio conhecimento aproxima as crianças de mim afetivamente. Assim me pus a pensar como, nesse projeto educacional, o conhecimento cognitivo (aprendizado sobre temas ambientais) e os conhecimentos sensível e motor (aprendizado e desafios corporais) podem se encontrar de forma dinâmica e clara em sua transmissão. Não pretendo e nem acho que seria possível encontrar todas as respostas para os inúmeros questionamentos e anseios educacionais que vêm surgindo em mim agora, mas me sinto muito feliz por estar tão instigada a buscar novas praticas que possam contribuir para o bom desenvolvimento afetivo/cognitivo e para o desenvolvimento de valores éticos dessa ‘ molecadinha’ que tenho a sorte de trabalhar.

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