Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2009-03-31

corpoECOlogia: Manuela Berardo, MAR/09

PATRONATO OPERÁRIO DA GÁVEA
Rio de Janeiro, Brasil – Março de 2009
Teacher: Manuela Berardo

Relatório
MARÇO 2009

Este mês, iniciaremos o ano letivo de 2009. Após um levantamento dos pontos positivos e negativos do ano passado, pretendo levar à sala de aula questões pertinentes à ecologia de forma mais direta. Ao pensar sobre o que é 'ser ecológico', me dei conta de que muitas transformações são possíveis de fazer na minha vida, de modo a permitir-me estar mais alinhada com os propósitos do Corpoecologia.

Esforçarei-me para realizar aulas divertidas e, se possível, já realizar um passeio com as turmas. Penso o quanto é importante proporcionar às crianças o contato direto com a natureza para que possamos estabelecer uma relação afetiva delas com o meio. Conhecer para cuidar!

Iniciamos as aulas apresentando aos novos alunos o nome do projeto e conversando sobre ‘corpo’ e ‘ecologia’. Fizemos jogos corporais, como estátua e a brincadeira da ‘parte colada’. No jogo dos ambientes, eu dizia um lugar, e cada aluno entrava em cena para realizar uma ação pertinente. Por exemplo, na praia, um aluno tomava sol enquanto outro chupava um picolé e o outro surfava. Pensei em introduzir o conceito de relação do homem com o meio através desta proposta, porém ao decorrer de algumas aulas percebi que a idéia de introduzir um conceito estava equivocada ao levar em consideração a idade dos alunos envolvidos (entre 6 e 9 anos).

Assim, parti para um outro caminho, iniciamos um trabalho de reconhecimento pessoal através dos nomes. Cada aluno apresentou o seu nome escrito e colorido para a turma contando, caso soubesse, o motivo pelo qual o havia recebido. Também fizemos jogos pedidos pela turma, que em alguns casos tivemos excelentes resultados. E conversamos muito sobre a violência e bagunça em sala, que ocorreu em todas as aulas, atrapalhando bastante o processo.

A Turma da tarde foi ao Museu do Meio-Ambiente no Jardim Botânico e assistiu à exposição do Chico Mendes, foi muito legal. Todos ganharam um livro de histórias que foi lido em sala na aula seguinte.

No fim do mês, cada um confeccionou um brinquedo de papel crepom, que precisa de bastante cuidado para ser feito e manuseado. Pudemos fazer brincadeiras e improvisações de dança com o brinquedo.

Creio que um dos principais desafios é manter os alunos interessados nas aulas depois de dois anos com o projeto. As turmas apresentam diferença de idade considerável e os mais antigos apresentam-se um tanto quanto resistentes às propostas que levo para a sala de aula. Se por um lado, obrigar o aluno a fazer a aula por vezes acaba fazendo com que ele se envolva, por outro, pode tornar a aula chata e desagradável caso o aluno atrapalhe toda a turma. Deixar a aula optativa para os alunos faz com que alguns simplesmente optem por não a fazerem quase nunca, ou que alguns saiam durante a aula, o que dispersa consideravelmente o grupo. Pergunto-me: como despertar e respeitar o desejo das crianças mantendo o grupo coeso e atuante?

Outro desafio que surgiu este mês foi a falta de limites e a constante violência entre os alunos. Percebo que a fala não é suficiente. Na turma da manhã, foi preciso dividir a turma para que as aulas pudessem acontecer. Os alunos este ano estão especialmente dispersos e com dificuldade de ouvir e aceitar as regras. Procuro estar atenta às necessidades dos alunos individualmente sem prejudicar o coletivo, o que acho muito difícil. É especialmente delicada a atitude de ser flexível respeitando as regras combinadas e ser firme, sem ser autoritária.

Felizmente, a coordenação da escola tem sido extremamente solícita e cuidadosa com as questões apresentadas, oferecendo-me todo o auxílio necessário na condução dos conflitos.

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