Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2008-08-30

corpoECOlogia: Manuela Berardo, AGO/08

PATRONATO OPERÁRIO DA GÁVEA
Rio de Janeiro, Brasil – Agosto de 2008
Teacher: Manuela Berardo

Relatório
AGOSTO 2008

Este mês iniciaremos o segundo módulo do projeto “O corpo em movimento: ecologia pessoal e introdução à ecologia social.” Pretendo continuar o trabalho de investigação do próprio corpo e introduzir a ecologia social associada ao cuidado, dando ênfase aos processos de relação dos alunos entre si através de jogos cooperativos.

Durante o mês, as duas turmas experimentaram jogos de bola, o jogo do nó corporal, quadro-vivo, telefone sem fio sensorial, jogo do ‘pé dentro e fora’, dança livre, exercícios de alongamento e de percepção corporal individual e em grupo, com material (bolinhas de diferentes tamanhos e espessuras, rolos, bambus, colher de pau, aparelhos de massagem, discos, etc.). As turmas produziram desenhos coletivos e vivenciaram manipulações em duplas e em grupos. Durante o mês, conversamos bastante sobre o significado de cuidar, percebendo quando houve e quando faltou o cuidado na aula.

Foi interessante ouvi-los falando sobre o cuidado. A maioria associava o cuidado a uma negação: “não bater”, “não maltratar”, “não xingar”. Poucas respostas foram afirmativas: “a mãe cuida do bebê quando ele nasce”, “eu cuido do meu cachorro” e, ao serem perguntados sobre o significado específico da palavra cuidar, associaram o cuidado ao alimento: “eu dou comida para o cachorro, e água também”, “a mamãe dá leite para o filhinho”.

Os alunos gostaram bastante de trabalhar com material e o cuidado com o corpo do amigo pôde ser vivenciado através do corpo. Percebi que, quando o cuidado era lembrado através da minha fala, funcionava como um impedimento breve de uma ação (agressão ou xingamento) e não como percepção do que é cuidar ou da vontade de cuidar.

Em relação aos jogos cooperativos, percebi que o fato da turma ter um objetivo comum aumenta a responsabilidade de cada aluno dentro do grupo, logo, o seu erro é mais criticado. Isto acabou por gerar situações de exclusão, seja por parte da turma ou por parte do aluno, que se sentindo inapto para o jogo, preferia retirar-se. Este tipo de exclusão foi menos freqüente nos jogos competitivos.

Outro fator que me chamou atenção foi o estímulo para o jogo; em uma mesma aula onde fazíamos um jogo de um time só (cooperativo) seguido de um jogo com dois times (competitivo), a energia do grupo mudava completamente entre um e outro. Na maioria das vezes, no segundo jogo o grupo mostrava-se muito mais entusiasmado com o objetivo a ser alcançado e esforçava-se para superar seus limites.

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