Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2008-03-31

corpoECOlogia: Manuela Berardo, MAR/08

PATRONATO OPERÁRIO DA GÁVEA
Rio de Janeiro, Brasil – Março de 2008
Teacher: Manuela Berardo

Relatório
MARÇO 2008

Dando continuidade ao processo iniciado no mês de fevereiro, tenho a intenção de continuar trabalhando estrutura óssea, alinhamento e percepção do corpo no espaço. Pretendo apresentar os conteúdos de forma interessante e divertida, com jogos e brincadeiras, e ater a atenção dos alunos da melhor forma possível. Continuamos com a idéia do “cuidar de si” e “conhecer o próprio corpo”. Irei me empenhar no sentido de fornecer ferramentas para que as crianças explorem esta jornada que, em última instância, depende de cada um.


Este mês, continuamos iniciando a aula com uma série de alongamentos. Tivemos como conteúdo das aulas: a percepção do eixo, o reconhecimento das partes dos pés (com o uso de material), brincadeiras a partir dos assuntos abordados, jogos de argumentação (onde cada grupo defendia o seu ponto de vista), jogos de percepção corporal, improvisos de dança, percussão óssea, desenhos, relaxamentos, jogos de estímulos sensoriais, aula da páscoa e diagonal com exercícios de dança.
Para ilustrar o processo do mês de Março, a seguir exponho o registro de uma das aulas:

11/03
- Alongamento relembrando as partes dos pés (bordas externa e interna, metatarso e calcanhar).

- Jogo: Morto-vivo da velha coroca e do balão. Trata-se de um exercício de flexibilização da coluna: na velha coroca todos estão com as costas relaxadas, e no balão as costas estão eretas, como se um balão de circo os puxasse para o céu. O jogo é feito sentado e os comandos verbais, em vez de serem ‘morto e vivo’ é ‘velha coroca e balão’. No fim, o vencedor escolhia entre dois jogos, aquele que seria realizado pela turma.

- O jogo escolhido foi o Colchão humano: todas as crianças deitam no chão de barriga para baixo, uma ao lado da outra. O aluno que estiver em uma das pontas inicia o rolamento sobre o “colchão humano” até chegar à outra extremidade, quando aquele que estava ao lado do primeiro inicia o seu rolamento. É importante tomar cuidado com os cotovelos e os joelhos.

- Relaxamento: enquanto relaxavam com as costas apoiadas no chão e as mãos na barriga, cada aluno deveria pensar sobre a atividade que mais gostou de fazer na aula de Corpoecologia até hoje.

- Desenho: na folha, além do desenho, cada aluno escreveu o seu nome utilizando letras grandes com a cor de sua escolha. A partir da próxima aula, será a ficha, onde cada um colará um adesivo no fim da aula, caso tenha participado.
- Grito de guerra.


Este mês foi rico em experiências e reflexões. Agora, sinto a imensa diferença em estar presente duas vezes por semana com cada turma. O processo afetivopedagógico (haverá separação?) é muito mais intenso. É interessante perceber como cada dia é uma surpresa, e é impossível se ater fielmente às combinações prévias do programa de aula. Os objetivos claros, porém, permitem que novos caminhos sejam abertos para a mesma direção, dando movimento criativo ao processo. Procuro estar aberta para perceber os caminhos apontados pelas crianças para trabalhar desta maneira. F lexibilizo-me com elas, ao pensar na noção de conteúdo e creio que, cada vez mais, percebo a importância de dar espaço para os alunos se expressarem, sem achar que não estou “dando aula”. Penso a noção de importância, ao me deparar com suas questões “de criança”, aparentemente pequenas e de fácil resolução.

Encontro dificuldades em ser ouvida e muitas vezes acho que o caminho se perde. Ao redigir os registros de aula, porém, impressionei-me com a quantidade de conteúdos trabalhados. Acho que estou aprendendo com as crianças a entender o tempo delas e ver que a assimilação do que é trabalhado em sala se dá de forma singular com cada um. Pesquiso os “olhos de criança” que me guiam no que eu, adulta, pretendo ensiná-las e, assim, estabelecemos nossa troca. Fico curiosa em entender como deve estar se dando a transformação no corpo de cada um e, por mais desgastante que possa ser, tenho um imenso prazer em trabalhar com meus alunos queridos.

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