Este é o blog do Adote um Professor, o programa-raiz da União das Árvores (123s), ONG fundada no Rio de Janeiro em 2006. Aqui publicamos relatórios, projetos e sementes para uma Escola Ecológica. Conheça a nossa missão.


2008-02-28

corpoECOlogia: Manuela Berardo, FEV/08

PATRONATO OPERÁRIO DA GÁVEA
Rio de Janeiro, Brasil – Fevereiro de 2008
Teacher: Manuela Berardo

Relatório
FEVEREIRO 2008

Neste mês de reinício das aulas, pretendo conhecer os grupos para apresentar o projeto da melhor forma possível. Muitos alunos serão novos o que mudará a dinâmica entre a turma. Em Fevereiro, iremos inaugurar os conceitos de imagem e esquema corporal, iniciando o primeiro módulo do projeto que é: ‘O corpo: introdução à ecologia mental’. Conforme consta no plano de curso, cada módulo é trabalhado por um período de seis meses. Sendo assim, neste mês, as atividades serão dedicadas ao reconhecimento de cada aluno acerca de seu próprio corpo através de jogos, brincadeiras, alongamento e exercícios de dança.


Este mês, as turmas experimentaram diversas abordagens de reconhecimento do próprio corpo através de jogos, desenhos, conversas e manipulação de materiais. Os conteúdos de corpo abordados foram ossos, articulações e funções mecânicas. Fizemos uma seqüência básica de alongamento todos os dias como ritual de início da aula e as turmas puderam ter a experiência de brincar com ossos de plástico de tamanho real de diversas partes da estrutura humana, o que ajudou na percepção do próprio corpo. Também fizemos improvisações de dança em grupos, experimentação dos níveis, relaxamentos, imitação de animais e brincadeiras.


A cada encontro com as crianças renovo o meu entusiasmo. Acho impressionante a capacidade de alegria desses pequenos seres. O primeiro contato com os dois novos grupos que se formaram foi interessante para que eu pudesse refletir sobre suas singularidades. Com o convívio, pude perceber as diferentes necessidades de cada turma. Apesar de suas similaridades, como o número de crianças (um grupo tem doze participante e o outro treze), a idade dos alunos (entre 6 e 8 anos) e o fato de estudarem na mesma escola, cada grupo possui um ritmo e uma resposta ao trabalho. A turma da manhã, em Fevereiro, foi muito concentrada e interessada nas propostas que levei para a sala de aula. Já na turma da tarde, encontrei mais dificuldade. À tarde, os alunos possuem grupos de amigos mais delineados, além de ser uma aula mais barulhenta por terem crianças em horário de recreio no pátio ao lado. Creio que o fato de já terem ido à escola, também influencia na disposição para a realização das atividades.

Percebo que a abertura do professor para perceber os alunos é essencial. Procuro não abrir mão de meus objetivos, mas sem ser rígida com o programa. Acredito que construímos o conhecimento juntos, em uma relação de troca e é no mínimo impossível ignorar a resposta dos alunos às propostas dadas em sala. Para isso, sinto a necessidade de estudar cada vez mais para ampliar minhas possibilidades de exercícios e jogos em sala sem precisar abrir mão do conteúdo a ser trabalhado. É uma linha tênue a ser seguida, pois as crianças têm naturalmente o instinto de brincar e sua concentração é de pouca durabilidade. Esforço-me para perceber quando devo mudar o rumo da aula e quando devo colocar limites e insistir na proposição. Acima de tudo, procuro proporcionar um bom encontro, uma aula divertida e risonha independente do conteúdo. Talvez a alegria seja um bom indicador do caminho a ser seguido.

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